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O sinal está fechado para nós, que somos jovens?

Juventude Anticapitalista em ato do II Encontro Nacional de Educação (Brasília/DF) | Foto: Andrew Costa (2016)

“A argila fundamental de nossa obra é a juventude.
Nela depositamos todas as nossas esperanças,
e a preparamos para receber a bandeira de nossas mãos.”
(Che Guevara)

Vivemos um momento crítico em nosso país, por meio do governo de Michel Temer se aprofunda uma grande crise política,social e econômica. E com isso os principais afetados serão a juventude em torno de todo o país, por meio da terceirização, da reforma trabalhista e da também reforma previdenciária. Esses três projetos criminosos do governo federal podem fazer com que toda uma geração tenha direitos sociais (adquiridos ao longo da história com muita luta) rasgados por políticos que não tem legitimidade alguma.

Porém ao longo de toda a história a juventude sempre foi vanguarda dos movimentos e protagonista nas transformações sociais do mundo. Exemplo disso são as movimentações de 1968 em todo o mundo, o movimento hippie, que se negou a lutar na guerra do Vietnã e também na luta contra ditadura militar no Brasil. Esse talvez seja o momento de maior instabilidade social, política e  principalmente econômica de uma geração que teve certos avanços sociais alcançados e que agora correm o risco de serem retirados . Após um período de conciliação de classe imposta por um governo socialdemocrata, os setores mais reacionários e conservadores se mostram fortalecidos e estão tentando implantar projetos que beiram o nacionalismo fanático e o fascismo, projetos esses que jamais ganhariam nas urnas.

Junho de 2013 teve rumos inesperados, por  conta da rescisão econômica e o acirramento político, toda ordem vigente foi entrando em crise, e os movimentos de pessoas que já se mostravam indignadas com diversas pautas diferentes foram usadas como massa de manobra por movimentos que se aproveitaram das manifestações para criar projetos contra o próprio povo. Porém as manifestações de junho conseguiram ativar um uma juventude que há muito tempo estava anestesiada pela mesma política de conciliação, que esfriou também os movimentos sociais e de luta.

Aos poucos vamos vendo movimentos de reativação e resistência em nosso país. As ocupações dos estudantes secundaristas foram o maior exemplo de como a organização pode barrar projetos que inviabilizem o desenvolvimento da educação pública e de qualidade no Brasil.

Esses exemplos servem como incentivo para a luta contra os projetos do golpista Temer. Mas voltando a esses projetos devemos entender o que está em jogo com a terceirização, a reforma trabalhista e a reforma da previdência.

A terceirização, como o próprio nome já diz, permite que em todas as áreas os trabalhadores e as trabalhadoras sejam terceirizados e terceirizadas e com isso a precarização dos serviços tende só a aumentar, como já acontece em alguns setores e instituições. A terceirização praticamente acaba com os concursos públicos e com a estabilidade do trabalhador, além de muitas vezes violar direitos básicos como décimo terceiro e até mesmo férias.

É nesse mesmo aspecto que a reforma trabalhista está inserida e seu principal ponto é: o negociado poderá ser sobreposto ao legislado. E o que isso significa?  Que o trabalhador terá de cumprir o combinado com o patrão, mesmo que as exigências estejam fora das leis que serão praticamente rasgadas neste aspecto. Se o patrão quiser pagar menos que o salário mínimo o trabalhador terá de aceitar pela necessidade de ter trabalho. E pra fechar o pacote de maldades, sem esquecer do congelamento dos gastos por 20 anos (PEC 55), temos o projeto que pretende acabar com a aposentadoria no país.

A reforma da previdência que pretende aumentar de 15 para 49 anos a contribuição, igualar homens e mulheres em 65 anos na idade mínima para se aposentar, ignorando que as mulheres muitas das vezes tem jornadas duplas e ainda recebem cerca de 30% menos que os homens. E porque nós jovens seremos os mais afetados? Antes de responder darei um exemplo. Imagine um(a) jovem de 19 anos que ainda não trabalha de carteira assinada, se ele começar a trabalhar imediatamente,  precisará contribuir 49 anos consecutivos em um mesmo emprego, sem nunca ser demitido e sem sair dele para poder se aposentar com 68 anos. Sendo que a expectativa de vida em alguns lugares do país não chega a isso. Essa reforma traz temas assustadores que falta tempo para se falar.

Por todos esses motivos é dever nosso estar presente nas mobilizações contra esse governo ilegítimo. Os dias 15 e 31 de março já tiveram uma grande adesão popular. Mas dia 28 será maior ainda. Há diversas categorias que já se posicionaram a favor da greve geral e irão paralisar as atividade nesse dia histórico. Por isso é dever cobrarmos de nossas instituições, tai como DCEs, grêmios e sindicatos para que eles e as categorias parem as atividades nessa sexta. É o momento de estar atentos as movimentações, de estarmos por dentro desses projetos que nos afetam diretamente. É fundamental também estarmos a todo momento conversando com as pessoas, com os familiares, vizinhos e conhecidos. Estar em atos de panfletagem e mobilizações de rua também é de extrema valia.

Juventude, esse é o nosso momento de se mostrar forte e resistente. É o momento de novamente sermos vanguarda do movimento de resistência. Ou reagimos agora ou morreremos trabalhando.

É nosso dever estarmos unidos pelo nosso futuro, por isso lutamos pelo FORA TEMER e convocamos todas e todos para aderirem e participarem das atividades da GREVE GERAL NO DIA 28 DE ABRIL. Não vamos pagar por essa crise, ela não é nossa.

Klaus Graban é estudante de Ciências Sociais da UERJ

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