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Manifesto aos que buscam a refundação democrática do movimento de trabalhadores no Brasil

Nós, presentes no Encontro Nacional Sindical do coletivo Subverta, gostaríamos de vir a público expressar alguns de nossos princípios estratégicos e prioridades de atuação para o próximo período. Numa conjuntura na qual a expansão de greves e mobilizações em oposição à Michel Temer e às “reformas” trabalhista e previdenciária é uma necessidade da nossa classe, como também o fortalecimento gradativo neste movimento de uma perspectiva revolucionária de superação da ordem capitalista, precisamos refletir sobre a maneira pela qual conseguiremos reunificar aqueles que vivem do seu trabalho e assim ampliar sua força e coesão.

Um dos principais dilemas que nos angustia é o seguinte: o que falta para a consolidação de um novo momento para o sindicalismo brasileiro do ponto de vista da ampliação da sua capacidade de auto-organização numa perspectiva classista e anticapitalista? Acreditamos que este problema é um desafio de cunho estrutural, tendo sua raiz não apenas nas grandes centrais sindicais, mas também nos sindicatos de base e no programa implementado, a partir deles, pela maioria das correntes do movimento sindical, inclusive da própria esquerda combativa. Grande parte das lutas dos trabalhadores do último período se passou por fora das estruturas tradicionais. E se os sindicatos se tornam estruturas tradicionais, isto é, meros reflexos das estruturas do estado burguês, o movimento tende a acontecer muitas vezes por fora deles, e em muitos momentos, contra os sindicatos burocratizados e tradicionais. Precisamos realizar um balanço dos motivos pelos quais também os sindicatos ditos combativos terem dificuldades em atuar nessa nova conjuntura de forma protagonista. Para isso, um passo fundamental seria aprendermos com os erros e traições realizados historicamente pela CUT e sua direção. Um segundo seria um amplo debate no interior dos setores combativos sobre concepção de sindicalismo na qual se busque a construção de uma prática e de um programa radicalmente democrático, antiburocrático e anticapitalista.

Infelizmente, as centrais sindicais mais combativas hoje existentes ainda não se propõem a mudar estruturalmente o sindicalismo brasileiro como se deveria. Mas, levando em consideração a importância de unificação dos lutadores socialistas e da consolidação de uma central sindical combativa, apostamos na participação na CSP-Conlutas. Atuaremos na Central Sindical com objetivo de construção de campo crítico, autônomo e democrático, na defesa da construção de um novo Conclat, um novo Congresso da Classe Trabalhadora para unificar as centrais e coletivos independentes e combativos nas lutas do mundo do trabalho.

Assim, precisamos, para viabilizar a derrota das burocracias sindicais e ampliar a luta dos trabalhadores, colocar a nossa classe em movimento, fortalecendo as mobilizações e alianças do movimento sindical com os movimentos sociais combativos, com inserção de massas numa frente única de mobilizações. Construir um amplo movimento de trabalhadores que tenha um pé na estrutura sindical, democratizando-a, mas dois pés fora dela. Muitos setores do sindicalismo brasileiro, mesmo entre os combativos, acreditam que a força material da conquista das estruturas irá resolver os dilemas organizativos e políticas da classe no atual momento: não devemos apostar nessa perspectiva, mas na construção de um amplo movimento baseado numa verdadeira nova cultura, anticapitalista e antiburocrática, que esteja à serviço dos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Assim, nosso principal desafio no atual momento é o de construir em todo país uma cultura política anticapitalista no movimento dos trabalhadores, contra a lógica hierárquica da divisão entre patrões e empregados, onde uns sabem fazer movimento, e outros apenas apoiam, uma divisão que reforça a divisão entre trabalho intelectual e manual e fortalece uma relação de poder entre desiguais. Precisamos fortalecer os movimentos de rua, greves e ocupações numa perspectiva cada vez mais pedagógica, que dialogue com a totalidade de classe, e tenha na coerência de uma prática libertadora sua maior bandeira. Numa nova prática iremos fortalecer no interior da nossa classe uma perspectiva verdadeiramente democrática. Precisamos, assim, construir um programa de unidade mínimo para um sindicalismo anticapitalista e antiburocrático em nosso país. Neste programa, acreditamos que a pauta feminista, LGBTQI+ e antirracista, como também a luta ecossocialista e em defesa dos direitos humanos não são mero adendo ou reflexo de uma suposta nova conjuntura: são princípios estratégicos que guiam nossa práxis. É a retomada do que há de melhor na tradição revolucionária dos movimentos dos trabalhadores.

Na busca da efetivação desses objetivos, nós do coletivo Subverta manteremos como referência a construção de uma organização mais ampla do que nós, continuando a apostar no Braços Dados. O Subverta reforça essa aposta no Braços Dados como parte da sua política de diálogo com os setores que defendem os princípios históricos da Quarta Internacional para o mundo do trabalho. Mais do que um movimento sindical, queremos colaborar na construção de um movimento de trabalhadores que atue dentro e fora das estruturas sindicais. Fortalecendo a Frente de Esquerda Socialista e similares nos estados, acompanhando e participando da Frente Povo Sem Medo, onde for possível, dialogaremos com todos e todas sobre a importância dessa tarefa.

Urge a construção de um movimento de trabalhadores radicalmente democrático, antiburocrático e anticapitalista! Pela autonomia dos trabalhadores em relação aos partidos, governos e patrões! Pela emancipação humana e contra todas as formas de opressão, sempre!

 

Encontro Sindical Nacional do Coletivo Subverta
(Cabo Frio – RJ, Julho de 2017)

 

 

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