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Greve dos caminhoneiros: anular as reformas e privatizações de Temer

A paralisação da circulação de mercadorias no país, a partir da greve dos caminhoneiros, é um novo marco da crise política, econômica, civilizacional pela qual passamos. No sistema em que vivemos, o custo de qualquer aumento de combustíveis como diesel e gasolina é repassado, cadeia abaixo, ao povo trabalhador, às maiorias sociais. Especialmente esta alta nos preços dos combustíveis está relacionada a estratégia ultraliberal, de tornar a produção e venda de petróleo no Brasil, ao mesmo tempo, mais subordinada às grandes petroleiras dos países capitalistas centrais e da China e ao mercado internacional de formação de preços. Por trás desta política está a privatização da Petrobras.

A greve coloca o país diante de dois impasses estratégicos. Um que pode desdobrar-se mais diretamente das reivindicações da greve, pondo em xeque a política de Temer para a Petrobras e para o sistema elétrico brasileiro, tanto no que diz respeito ao processo de privatização mais direto, quanto à dinâmica geral de abertura da economia brasileira para o domínio do capital estrangeiro e, ainda, mostra as fragilidades das políticas monetária e cambial completamente fragilizadas ante à instabilidade global.

A paralisação dos caminhoneiros tem também dois papéis pedagógicos fundamentais: recoloca de vez a mobilização grevista como ferramenta para enfrentar as perdas econômicas das maiorias sociais. E mais do que isso, revela que um movimento organizado pode parar o Brasil. Nesse sentido, o governo Temer que além de ilegítimo era absolutamente frágil, mostra-se agora completamente supérfluo, pois parte dos setores sociais que o apoiam defendem a greve, como é o caso MBL e mesmo de frações das classes dominantes.Isso demonstra que Temer pode estar por um triz. É hora de recolocar na ordem do dia a construção da GREVE GERAL. Só a mobilização social pode fazer com que a saída para esse impasse se oriente em um sentido popular e democratizante.

Mas há um outro impasse estratégico que não se resolve com a luta pela redução do preço dos combustíveis. A ficha precisa cair. Não temos como opor a essa situação uma saída demagógica de “gasolina barata” ou fechar os olhos para a inviabilidade do modal rodoviário de carga, especialmente quando se trata de percorrer distâncias continentais, como o caso do Brasil.

Os combustíveis fósseis são, na verdade, subtarifados, como mostram todos os estudos recentes. E isso é no mundo todo, não só no Brasil. Incluídos os custos sociais, sobre saúde, poluição e, principalmente, o estrago do aquecimento global, acidificação oceânica etc., o “preço real” de diesel e gasolina vai às alturas!

Esses preços, apenas para serem “justos”, isto é, “sem lucro” (como queremos à esquerda) e “sem imposto” a mais (como se quer à direita), mas adotando o princípio do poluidor-pagador e considerando aquilo que se convencionou chamar “externalidades”, ainda assim subiriam. E muito. Combustíveis fósseis são inviáveis e adiar a solução do problema só vai fazer com que crises ainda maiores venham por aí.

Problema que não é só ecológico como também geoeconômico. A saída dessa crise pela alavancagem da produção interna e da subtarifação pode ampliar nossa dependência, como já nos mostrou mais de uma vez a Venezuela, atando as mãos de um processo emancipatório, pois trata-se de um setor produtivo/destrutivo dominado pela alta finança, o canhão e a baioneta.

Solidarizamo-nos aos caminhoneiros em suas dificuldades e contra a superexploração a que são submetidos. Não temos qualquer solidariedade com as grandes empresas transportadoras que agem de forma oportunista, denunciando a alta do preço da gasolina, mas mantendo os trabalhadores caminhoneiros sob o regime dos baixos salários e do trabalha extorsivo. Estamos ao lado também, obviamente, da ampla maioria da população brasileira, que já pagando o ônus da crise econômica, vê os preços subirem exorbitantemente enquanto seus rendimentos decaem. Inclusive é preciso denunciar a cretina postura de muitos setores da burguesia comercial que se aproveitando da crise de abastecimento estão aumentando de modo exorbitante os preços de alimentos essenciais e dos próprios combustíveis, como podemos ver no custo de 20 reais por um mísero quilo de batatas ou até 12 reais no litro da gasolina em alguns locais do Brasil. Isso é inaceitável e demonstra como a burguesia brasileira não perde a oportunidade de aumentar mais ainda a exploração sobre a classe trabalhadora.

Mas não seremos vendedores de soluções simplistas. Devemos desdobrar das reivindicações dos caminhoneiros a luta contra a privatização da Petrobras e de sua subordinação ao regime petrolífero internacional e desdobrar, ainda, dessa perspectiva o horizonte de um planejamento estratégico voltado para o bem comum.

Devemos retomar a luta por uma GREVE GERAL, pela anulação das reformas e das privatizações. A catalisação da greve dos caminhoneiros para um processo mais amplo de enfrentamentos sociais é a perspectiva que pode fazer com que essa dinâmica se politize e tenha capacidade de impor uma derrota mais estratégica ao projeto ultraliberal.

Não podemos entrar nesse debate sem apresentar saída de conjunto. Saída esta que inclui controle público e mudança de matriz energética, saída do modal rodoviário para carga (em que o Brasil atuou na contramão ao sucatear o modal ferroviário), eletrificação do transporte, mudança do paradigma do transporte individual motorizado etc. Saída que pressupõe também outra ordem econômica, em que não sejam os de sempre que paguem toda a conta.


¹Esse é um aspecto que necessita maior aprofundamento de estudo para ver até que ponto o movimento se mantém como vinculado aos setores dos caminhoneiros ou se orienta para uma ação direta de frações burguesas ligadas ao setor de transportes.

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