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Nota do Subverta em repúdio ao Golpe na Bolívia

DITADURA NUNCA MAIS! EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA AUTONOMIA LATINOAMERICANA!

No dia de hoje, assistimos a cenas na Bolívia que nos lembram a América Latina de 50 anos atrás. O golpe em curso representa o que há de mais vil: a ânsia dos poucos de dominarem os muitos.

A partir do início do século XXI, vimos a ascendência de governos progressistas latinoamericanos, que em sua busca pela libertação das amarras neoliberais, vem sofrendo duros golpes à suas democracias. Democracias essas que nunca foram plenas, e que trazem as marcas da dominação colonial e do imperialismo. Dessa vez, o golpe foi sobre Evo Morales, primeiro presidente indígena eleito em seu país.

Vimos uma direita conservadora, fundamentalista, racista e entreguista se recusar a aceitar o mandato eleito do presidente Evo Morales e seu vice, Álvaro Linera, impondo covardemente a deposição do governo.

A OEA, que agiu em interferência alegando suspeição das eleições, se cala frente ao golpe e mostra que suas intenções não eram a da defesa da democracia boliviana. A mídia hegemônica faz coro à narrativa da fraude e da renúncia, mostrando o aparato institucional para tentar legitimar as forças do autoritarismo.

Luis Fernando Camacho, fundamentalista religioso autodeclarado líder da oposição, e que teria sido citado em áudio divulgado na imprensa como um “homem de confiança de Bolsonaro”, entrou no Palácio do governo com homens armados, impondo carta de renúncia ao presidente Evo Morales.

A milícia golpista está nas ruas, perseguindo lutadores e lutadoras da democracia, a população indígena, sindicalistas, estudantes, professores, aterrorizando a população. Recebemos assustadoras denúncias de tortura de líderes sindicais e uma prefeita, saqueamento da casa de Morales, ameaças à ministros e familiares de autoridades e prisões injustificadas.

A queima da bandeira Wiphala, simbolo da resistência dos povos indígenas de Abya Yala, é um doloroso símbolo do racismo e conservadorismo deste golpe. Os que reconhecem o golpe resistem corajosamente nas ruas. “Trocaram a nossa wiphala pela bíblia e pelo fusil”, denuncia uma companheira feminista boliviana. A solidariedade e denúncia internacional do golpe é indispensável para contrapor a narrativa hegemônica que insiste em sua normalização.

A Bolívia, país que reduziu a pobreza extrema de 38,2% em 2005 para 15,2% em 2018, conquistou diversos avanços se contrapondo ao neoliberalismo, tendo como bandeira o indigenismo e a valorização dos saberes tradicionais, do direito à terra, justiça social e vida digna. Por isso, hoje, se torna alvo do golpe. A autonomia boliviana é uma afronta aos interesses do imperialismo!

A defesa da autonomia da Bolívia é a defesa de um modelo alternativo, que não se alinha ao capitalismo global, materializado no Bem Viver, mesmo com erros e acertos.

A defesa da autonomia da Bolívia é a defesa dos 99% da população, frente à crueldade e o autoritarismo do 1%.

A defesa da autonomia da Bolívia é a defesa da autonomia de toda a América Latina.

Repudiamos o golpe, e toda forma de intervenção externa que possa ferir a soberania da Bolívia e o princípio de autodeterminação dos povos.

Todo apoio à luta dos bolivianos por democracia e a Evo Morales, e contra o levante das milícias de direita.

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