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“Gado” bolsonarianio: o que os animais têm com isso?

Por João Alfredo Telles Melo

Enquanto espero a minha vez na fila de vacinação para idosos, fico aqui matutando por que tenho tanta resistência em chamar de GADO os seguidores fanáticos de Bolsonaro. 

Primeiro, porque talvez tenha aprendido com Carlos Walter Porto-Gonçalves que não devemos  designar as (más) qualidades e condutas humanas com nomes de animais, pois, não deixa de ser uma forma de desvalorizar a natureza não-humana e absorver (e absolver) nossos humanos defeitos (e assim legitimar o saque e a devastação do ambiente natural e de seus seres). 

Um canalha será sempre um canalha, nunca um cachorro (que será sempre o melhor amigo do homem).

Em segundo lugar, para quem teve a infelicidade de conhecer um abatedouro, sabe como os bois, instintivamente, resistem a seguir adiante, na fila do abate; eles empacam, mesmo; pressentem a morte ali na frente (e assistir a isso é terrível!). O instinto de preservação da vida é mais forte que sua “natural” submissão “bovina” (um adjetivo que inventamos).

Falo isso porque é essa imagem que me vem à mente quando vejo bolsominions defendendo a necropolítica – inconsequente e genocida – do antipresidente, sem nenhum questionamento, o que faz com que o abracem, desdenhem das medidas preventivas e coloquem suas vidas – e as dos seus – em risco, como se marchassem alegremente para o matadouro, em nome de uma lealdade cega a seu “mito”.

A compreensão desse  fenômeno – demasiadamente humano (para tomar emprestada uma expressão de Nietzsche) – talvez seja um dos grandes desafios do tempo presente que se coloca para sociólogos, politólogos e outros cientistas sociais, no estudo da psicologia social das massas. 

Da ecologia, da biologia e de outras ciências da natureza, virá a compreensão de que é o desequilíbrio da relação da sociedade humana com seu entorno natural – o chamado “metabolismo social” – quem poderá explicar as causas de tantas epidemias e pandemias, especialmente quando se analisa a destruição de florestas e outros habitats. 

Na verdade, é o modo de como as sociedades humanas se organizam, a sua formação socioeconômica, cultural e histórica (atualmente, dirigida e submetida aos interesses do grande capital, onde tudo se transforma em mercadoria) quem pode nos fazer compreender a crise socioambiental planetária em que estamos atualmente mergulhados. E também como superá-la.

Deixemos os animais não-humanos fora disso. Eles não têm culpa.

P.S.: antes que eu me esqueça: #ForaBolsonaro

João Alfredo Telles Melo é advogado, professor e, como sexagenário, integra um dos grupos de risco da COVID19.

Imagem: canvas (editada)

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