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Nossas vidas contra o lucro deles!

Texto do Setorial Nacional de Negritude do Subverta

Quando falamos “nossas vidas contra o lucro deles”, queremos chamar a atenção para a exploração que atravessa todo o globo e nos coloca em duas posições antagônicas: trabalhadores e patrões, ou melhor, explorados e exploradores. Porém, devemos olhar para uma questão fundamental, que implica entender onde a exploração como a conhecemos nasce: na escravização negra. Os absurdos sofridos por negras e negros durante os quase quatro séculos de escravidão foram o que possibilitou que potências como Estados Unidos, França, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, entre outros, se consolidassem.

Se as lideranças políticas desses países tivessem ao menos um pouco de vergonha, proporiam abrir mão de seus ganhos para devolver dignidade econômica para os países que sofreram tanto com a escravidão, em especial os países africanos. Porém, o que vemos é uma intensa culpabilização desses países por sua pobreza e sua situação de miséria. Esses países não nasceram pobres, mas foram empobrecidos em nome da ganância capitalista.

Esses países foram (e seguem sendo) roubados, seja em sua natureza (reduzida a recursos naturais), seja de sua mão de obra qualificada. Libertar os países do sul global dessa chaga é entender que a dívida externa (que no Brasil está na casa dos R$166 bilhões) e a dívida interna (que atingiu em 2019 o valor de R$4,1 trilhões no Brasil) deveriam ser imediatamente suspensas. Apenas a suspensão dessas dúvidas aliviaria os países em 40% a 60% do orçamento e possibilitaria que muitos deles saíssem da zona de miséria. Porém, para os interesses dos grandes empresários e milionários, quanto mais pessoas na miséria, mais eles podem lucrar.

Parte dessa lógica está em ver países como Angola, República Democrática do Congo, Camarões, Moçambique, Nigéria, Equador, Bolívia e o próprio Brasil como fazenda de mão de obra barata e dispensável, seguindo a mesma lógica do período escravocrata. Essa lógica se escancara com a fala defendida por dois médicos franceses de que os testes de medicamentos contra o Covid-19 deveriam ser feitos nos países do continente africano. Não é a primeira vez que isso acontece. Para a criação da pílula anticoncepcional, testes foram feitos em Porto Rico e no Haiti, depois de não conseguirem voluntárias o suficiente nos EUA devido aos graves efeitos colaterais, e terem apelado até a pacientes com doença mental.

Essa fala expõe como as grandes economias do mundo vêem os pobres e, em especial, as negras e negros do restante do mundo: cidadãos de segunda categoria. Em nome de que a economia volte a funcionar normalmente (ou seja, que a exploração siga seu rumo), estão dispostos a sacrificar mais vidas na doença, e em nome de uma pretensa cura, submeter os mais pobres a massivas experiências, sem nem conhecer quais são os efeitos colaterais ou se existe alguma chance de cura. Enquanto isso, a ajuda humanitária segue sendo um sonho longínquo dentro do pesadelo dos EUA confiscando mercadorias que seriam destinadas a países mais pobres, como o próprio Brasil.

Enquanto isso, o presidente genocida do Brasil, Jair Bolsonaro, está mais preocupado em atacar seu Ministro da Saúde do que em questionar seu aliado político Donald Trump. Chega de descaso com a população negra e pobre do Brasil e do mundo!!! Por um plano imediato de defesa da vida!!! Vidas negras estão sendo perdidas por conta da sede desses governos por garantir os lucros de banqueiros, latifundiários e toda uma corja de empresários inescrupulosos que vêem as vidas como um passivo dispensável.

Nessa linha, saudamos o trabalho de nossa camarada Talíria Petrone, deputada federal que vem, incansavelmente, apresentando e lutando por propostas que impactam o dia a dia das pessoas mais vulnerabilizadas: fila única para hospitais privados e públicos; texto alternativo à MP da Morte, para que a União assuma a folha de pagamentos, amplie o seguro desemprego e crie um fundo nacional de garantia de emprego social; proposta para que instituições de ensino não apliquem sanções de inadimplências e que não cancelem bolsas e descontos, entre muitas outras.

Também saudamos as redes de solidariedade e informação que as comunidades têm criado para distribuir comida, kits de higiene, e para conscientizar a população da importância do isolamento social. Somado aos instrumentos da mídia, formal e informal, que estão denunciando as empresas que seguem explorando seus empregados, os forçando a trabalhar durante a epidemia ou cortando na carne deles para garantir seus lucros. Essa autonomia é muito importante para escrevermos nossa própria história, ao mesmo tempo em que exigimos nossos direitos.

Lutar pela vida é lutar contra o lucro dos empresários e contra o racismo que estrutura as relações de exploração no Brasil e no mundo. Ser anticapitalista sem ser antirracista é não ter amplitude e maturidade política, e ser antirracista sem ser anticapitalista é carecer de estratégia. Derrotar o capitalismo para derrotar o racismo é a única forma de garantir que nossas vidas sejam respeitadas!

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