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Eleição da presidência da Câmara

Posicionamento do Subverta

Vivemos um momento dramático. Sem dúvida, a tarefa mais importante é construir a derrota do bolsonarismo e de Bolsonaro, responsável por milhares de mortes ao sabotar as medidas contra a Covid-19. Mas não nos iludamos. A saída não é fácil. Confira nossa posição sobre a eleição para a presidência da Câmara.

O momento é difícil, mas não podemos nos enganar. Não é possível ignorar o caminho que nos trouxe até aqui. A chegada de Bolsonaro ao poder é consequência direta do golpe contra Dilma. Toda a direita, salvo raríssimas exceções, participou do golpe e votou em Bolsonaro no segundo turno.

Na Câmara dos Deputados, houve, desde o início, um amplo acordo entre Bolsonaro, Rodrigo Maia, Paulo Guedes e outros para aprovar medidas que destruíram os direitos sociais e trabalhistas tão duramente conquistados, como a CLT e a Previdência.

Afirmar o compromisso com a democracia é importante, mas insuficiente. Mesmo diante de graves crimes de responsabilidade, da convocação de manifestações antidemocráticas em plena pandemia e da sabotagem das medidas de contenção do avanço da doença, Maia manteve engavetados mais de 60 pedidos de impeachment.

Isso porque a direita fisiológica só é contra Bolsonaro até a página 2. Na verdade, em relação aos principais interesses das classes dominantes, que passam pelas privatizações, a destruição dos direitos sociais e dos serviços públicos, eles se unificam.

Não podemos construir uma posição para a sociedade em que a única saída para derrotar Bolsonaro seja a submissão ao projeto de Maia, Moro, Huck, DEM, PSDB, MDB. É preciso afirmar uma saída política pela esquerda ou só iremos aprofundar a tragédia que se abriu com o golpe.

Enfrentar Bolsonaro vai muito além de acordos palacianos. Precisamos disputar a sociedade, defender os interesses e os direitos do povo, lutar para melhorar a vida da maioria da população e, nos aliando a quem ataca esses direitos, damos uma péssima sinalização.

Um acordo para não votar as privatizações e a retirada de direitos na próxima legislatura, que não leve à revogação do teto de gastos e que não tenha abertura para a discussão sobre o impeachment não é aceitável, pois não há acordo algum. Apenas a construção de uma narrativa de que Baleia Rossi é anti Bolsonaro.

Essa narrativa é falsa. A maior parte das votações de Baleia Rossi teve acordo com o governo, Baleia é uma fac-símile do amplo projeto bolsonarista e sua candidatura como oponente de Lira é um erro. Erro que, inclusive, levou setores ligados à Baleia a se deslocarem para o campo do candidato de Bolsonaro com facilidade.

Como a eleição é em dois turnos, acreditamos que no 1º turno a esquerda deva manter levantadas suas bandeiras e no 2º votar contra o candidato diretamente apoiado por Bolsonaro.

Apostamos na candidatura de Luiza Erundina porque ela sim representa o antibolsonarismo. Erundina traz o único programa de defesa da classe trabalhadora, que luta pelas mulheres, pelos negros e negras, pelos indígenas, pelos LGBTQI+. Um programa que pauta para já um plano eficaz de vacinação para todos os brasileiros e brasileiras, que vai implementar a Renda Justa permanente às famílias mais precarizadas durante a pandemia. Erundina reafirma a urgência do impeachment de Bolsonaro para dar início à reconstrução do país, fazendo no parlamento o papel que é esperado da presidência da casa do povo e acolhendo os anseios de quem está ocupando as ruas.

Parece haver mais coisas em jogo nessa discussão do que a luta contra Bolsonaro, uma vez que partidos de esquerda já sinalizaram apoio ao candidato de Bolsonaro no Senado. O anti bolsonarismo só é válido na Câmara?

Sabemos que Lira se comprometeu diretamente com Bolsonaro e o PSOL não dará nenhum voto a ele. Mas não é fechando no primeiro turno com Baleia Rossi que enfrentaremos o Bolsonarismo. É ilusão. É fechar com a lógica racista e antipovo da austeridade. Baleia Rossi e Arthur Lira têm a austeridade como princípio. Quem sofre com tanto desmonte?

Devemos defender a democracia, óbvio, mas sem sermos parte de um jogo fisiológico que nada contribui para uma verdadeira democracia. Que há séculos deixa o povo negro e pobre de fora e não enfrenta nossas desigualdades. Não serão acordos de gabinetes que derrotarão o fascismo, mas a organização coletiva do povo.

Reafirmamos nosso compromisso com a unidade da esquerda e a necessidade de que as ideias e as propostas de um Brasil popular, soberano, antirracista, feminista não sejam apagadas por conta de um acordo com a direita golpista. Não nos foi dada nenhuma outra escolha, não quando o povo sofre em meio ao cenário de soma de todas as crises do sistema amplificada pela pandemia, e que assim vai permanecer com um projeto político desenhado para as aspirações da burguesia.

Numa eleição onde nosso dever é o de nos mantermos fiéis às lutas do povo brasileiro, cabe a nós, antes de tudo, manter nosso projeto radical, popular e democrático. Escolhas táticas complexas precisarão ser feitas numa possível segunda etapa do processo eleitoral. Nesse caso, não podemos esquecer que, apesar de a tática por vezes ser necessária no combate a um mal maior imediato, nosso compromisso continua a ser com a luta por cada trabalhador e trabalhadora brasileira, por sua vida e seus direitos. Dessa batalha não abriremos mão.

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