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Apoio a Retomada Xokleng (RS)

card colorido. Fundo bordô. Frase centralizada na parte superior "Nota de apoio à retomada Xokleng (RS)". Imagem de foto em polaroid com o povo Xokleng, lutador pela rotomada de seu território. Logo do Subverta Coletivo Ecossocialista e Libertário centralizado na parte inferior. No canto inferior ramagem com folhas verde claro e verde escuro e uma flor branca.

O Subverta manifesta apoio à luta do Povo Xokleng Konglui na retomada histórica de seu território no Rio Grande do Sul. 
A família Xokleng Konglui está reivindicando seu território tradicional ancestral, passando por um processo de retomada de sua terra, voltando pra sua casa em São Francisco de Paula (RS).No dia 12 de dezembro de 2020 descendentes de Veitxa, lideradas por suas filhas Koglunh e Yoko, ingressaram na Floresta Nacional de São Francisco de Paula (FLONA), retornando para seu lugar de origem. Veitxa foi um dos fundadores da comunidade Xokleng que foi expulsa por bugreiros durante o processo de colonização. Bugreiros eram assassinos contratados para dizimar a população indígena, que eram considerados “selvagens” e precisavam ser retirados para dar espaço ao “desenvolvimento”, abrindo áreas para plantações e pastagens.No território da FLONA, sua vegetação nativa deu lugar a reflorestamento de Pinus (uma vegetação que não ocorre naturalmente em terras brasileiras). A região era rica em ervas medicinais da cultura indígena e em plantas importantes para a alimentação, como o palmito e a taquara. Mudas dessas plantas nativas e originárias foram trazidas pelos descendentes dessa terra com o objetivo de restaurar a floresta ancestral. A retomada do povo Xokleng Konglui faz parte de um importante movimento de retomada das terras indígenas invadidas na região Sul do país, que foi iniciada na década de 1970. Por séculos, Xokleng foram vítimas de um brutal processo de colonização que quase levou ao completo desaparecimento do povo, que tradicionalmente ocupava a região leste dos estados do sul, numa  área que ia de Porto Alegre (RS) até as proximidades de Curitiba (PR). São clãs com famílias diferentes que, no Rio Grande do Sul, ocupavam as cidades de São Francisco de Paula, Gramado, Canela, Lageado, Lagoa Vermelha, chegando até Porto Alegre. A estrada Rota do Sol (que liga o extremo oeste do estado, a partir da cidade de São Borja, até o litoral norte gaúcho, no município de Terra de Areia, passando pela serra gaúcha e conhecido ponto turístico pelas suas belezas naturais) tem esse nome devido ao Povo Xokleng que vivia na região da serra – o povo que caminha em direção ao sol, ou simplesmente O Povo do Sol.Devido às inúmeras invasões e violência, os Xokleng foram expulsos dos seus territórios e hoje estão mais concentrados no estado de Santa Catarina. 

No Rio Grande do Sul se refugiaram em terras Kaingang, Guarani e, em menor parte, no território Charrua, dos quais há poucos no estado.Dentro da área da FLONA, há inúmeros indícios de que a terra compõe território ancestral dos Xokleng Konglui, como casas subterrâneas (grutas e cavernas) e um museu que reconta toda a história do povo originário dentro da área, além do cemitério da comunidade sob o solo da região. Há um pedido de reconhecimento da área como território tradicional junto à FUNAE, tramitando no Ministério Público desde 2011. No final de 2020 foi marcada uma audiência pública para a privatização do território, sem que houvesse a participação dos Xokleng Konglui, verdadeiros donos da terra.Desta forma, os descendentes de Veitxa se deslocaram para retomar o território que é seu por direito e fazer valer o que está definido na Constituição Federal, estando presentes em suas terras e não apenas lutando pelas vias legais. São Francisco de Paula é território Xokleng, terra de seus ancestrais e que precisa ser garantida para que as novas gerações sigam vivas. 

Vida é território, cultura, seus modos de ser e de estar.No dia 1º de janeiro de 2021, diante da decisão da Justiça Federal de Caxias do Sul, referendada provisoriamente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, foi concedida a reintegração de posse ao ICMBio, contrariando o direito originário daquela terra. Sendo assim, a comunidade decidiu por se retirar voluntariamente dos limites da FLONA e, provisoriamente estão ocupando o espaço público na faixa de domínio na beira da estrada, junto ao Parque Nacional de São Francisco de Paula. A retomada é sopro de vida, sinal de esperança e símbolo de luta e resistência dos povos indígenas. 

“Nem um palmo de terra a menos e nem uma gota de sangue a mais.” Vivemos um momento de avanço do neoliberalismo no país que, capitaneado por Bolsonaro e Paulo Guedes, tornou os povos originários do Brasil um alvo dos seus ataques mais viscerais.Apoiar a luta do Povo Xokleng pelo seu direito à terra não é apenas um gesto humanitário, mas um chamado pela preservação dos nossos biomas, da nossa fauna e flora que seguem sendo destruídos em nome do “desenvolvimento” desde a época da colonização dessas terras.São mais de 520 anos de luta e resistência dos povos indígenas para a preservação da natureza, dos seus territórios, da sua cultura e de suas vidas.

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