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#DIADOÍNDIO?

Card colorido, fundo azul claro. Ao centro,  foto de mulher indígena com os braços erguidos, cada não segurando a extremidade do que parece um facão. "Dia da luta indígena 19 de abril" escrito acima da foto. Ilustração de flores amarelas nos cantos inferior esquerdo e superior direito.  Logo do Subverta no canto superior esquerdo.

Por Bruno Kanela

É preciso entender as lutas do nosso tempo. Incansavelmente, os povos indígenas do Brasil têm ocupado as redes sociais e os espaços de debate neste mês para reafirmar que desde a colonização não existe uma data a se comemorar como se propõe o dia 19 de abril e, por isso, todo o mês tem se tornado um palco de lutas e de saberes antirracistas.

Desde os primeiros sinais de que os colonizadores escravizariam essas terras, os povos indígenas e as pessoas negras se mostraram combativos a sistemas de opressão e racismos, não se admitindo aceitar modelos econômicos de hegemonia mundial como é o caso do capitalismo. Modelo esse que tanto destrói quanto explora os mais diversos seres e seguimentos da sociedade.

Sabemos que, a nível institucional, existe um grande trabalho para manter a lógica nefasta do capital em pleno funcionamento. Por isso, necessitamos de um levante de resistência que interfira nessas ações excludentes, opressoras e assassinas dos povos indígenas. No Congresso Nacional existem bancadas de empresários milionários, pastores, parlamentares armamentistas e representantes do agronegócio que veem os povos como um grande entrave na obtenção de seus lucros, e dessa forma trabalham ativamente para que as mais diversas comunidades estejam fielmente inseridas na ordem do capital, ou seja, a ordem de empobrecer mais pessoas para que elas possam ser exploradas e gerar lucros para seus patrões. 

Nos querem à mercê de governos como o de Jair Bolsonaro que declara abertamente não atender a nenhum direito constitucional, seja de demarcação de nossos territórios seja de direitos fundamentais. Por isso, a valorização de representantes indígenas e indigenistas nesses espaços é garantir a vida, a cultura, os saberes e a ancestralidade das comunidades.

Frente a toda essa estrutura política financiada por empresários que elegem seus peões parlamentares e presidentes a cada eleição, não podemos esquecer do Poder Judiciário. Dele deveríamos esperar a justiça e a garantia de nossos direitos, mas não tem sido dessa maneira a sua atuação. O que vemos são decisões e interpretações que dão brecha a teses como a do Marco Temporal, nos mostrando que o Judiciário brasileiro conta com juízes parciais ao modelo destrutivo de comunidades. Tudo isso somado é uma ameaça constante a nossa sobrevivência, então é preciso filtrar e saber qual justiça o nosso judiciário guarda para reparar tantas injustiças sociais aos povos.

Não podemos viver numa sociedade que seja conduzida muitas vezes a eleger representantes e modelos tão destrutivos como esses. É necessário que a sociedade revisite seus conceitos e saberes sobre os primeiros donos destas terras, pois foram muitas as influências negativas na literatura, nas artes e no ensino sobre esses modos de vida.

É preciso entender que os povos indígenas do Brasil estão vivos e vivos permanecerão lutando por seus direitos, seja nos seus territórios ou nas cidades. Isso porque mesmo diante de tantas forças contrárias a centenas de anos de existência e de resistência, acreditamos num novo modelo de sociedade que seja verdadeiramente livre de qualquer tipo de opressão e destruição do planeta.

Bruno Kanela

Liderança indígena 

Militante – SubvertaDF

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