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O que os ecossocialistas querem com eleições?

Por Jerônimo De Rossi Molina

É um fato que as mudanças climáticas se tornaram uma emergência climática. Países do norte (principalmente Europa e Estados Unidos), antes vinculados a uma pauta destruidora da Natureza adotam um discurso voltado a construção de estruturas sociais resilientes para suportar os efeitos daquilo que eles próprios criaram. Contudo, a apropriação da luta ambiental pelo neoliberalismo, assim como tudo é roubado pelo discurso hegemônico neoliberal, torna o debate raso.

Existe uma tendência a adotarmos uma postura comercial com relação a Natureza, onde não ocorre uma ruptura definitiva entre aquilo que o capital prega – a exploração dos recursos naturais. Aplicações aqui e acolá dão um toque de “verde” as já conhecidas práticas de exploração dos recursos naturais, sem levar em consideração o abismo social, as lutas feministas, a exploração dos trabalhadores, a própria “Terra Gaia”. Exemplos práticos dessa premissa roubada não faltam: práticas empresariais de ‘limpeza verde’, políticas de ‘ESG’, redução de carbono, dentre outros. São todas maquiagens advindas do poder econômico como forma de sequestrar a luta ecológica como uma pauta neoliberal e capitalista.

Em mesma forma a Política foi sequestrada pelo neoliberalismo. Existe uma aproximação do grande capital com vertentes mais à esquerda do espectro político tradicional, com o literal intuito em permanecerem com suas práticas abusivas, principalmente no contexto socioecológico. Essas aproximações se dão em perspectivas nas cidades inteligentes, onde a tecnologia se torna o final e não o meio para promover uma qualidade verdadeiramente igualitária e sustentável.

Nesse contexto incluem-se a exploração dos recursos do subsolo, de maneira coadunada com os governos e governantes – independente do espectro político. Também existe a exploração das comunidades indígenas, através da permissividade do governo (sobretudo o brasileiro) em influenciar na cultura e nos costumes daqueles povos com missões de cunho deliberadamente religioso. Ainda é possível falar no garimpo, que paulatinamente avança sobre a Floresta Amazônica, de forma a distribuir todo o ecossistema e por consequência todo o Planeta.

Por mais que a luta ecossocialista aconteça nas bases da sociedade, com a militância periférica, feminista e a classe trabalhadora, a presença dentro dos parlamentos e governos é fundamental para que o verdadeiro debate aconteça. Em nada adiantará adentrar em uma luta contra hegemônica sem participar ativamente no debate eleitoral. A partir do debate eleitoral acontece mais que a presença do discurso ecossocialista, ocorre a ruptura da própria ‘caixa de ressonância’ aos ‘já convertidos’, levando nossa luta às grandes massas.

Existe uma grande massa alijada dos conceitos ecossocialistas, primeiramente por esses discursos não estarem disponíveis pela opressão do discurso hegemônico neoliberal. Dessa forma estudantes, trabalhadores, mulheres, negros, LGBTQIA+, por mais que sejam as classes mais estigmatizadas da sociedade, ficam distantes desse debate. Romper com as amarras do discurso neoliberal também se torna uma forma de luta.

Além disso, a luta ecossocialista não se dá somente nos grandes centros urbanos, mais favoráveis. Existe a necessidade em chegar nos pequenos núcleos urbanos, nas pequenas cidades, onde esse debate raramente ocorre. Normalmente é nas pequenas cidades que a exploração do sistema socioecológico mais acontece. Não é atoa que as queimadas, exploração de minérios, construção de barragens, dentre outros modos de exploração ambiental, ocorrem nas localidades mais distantes e remotas. Portanto, as eleições servem como maneira em engajar aqueles marginalizados pela história em estarem lado a lado em defesa do nosso planeta e contra a exploração capitalista predatória.

Mas a participação nas eleições não se resume a posição ‘externa’, também está na posição interna. Combater o produtivismo é uma luta ecossocialista, seja de onde ele vier. Portanto, participar das eleições conduz o debate – inclusive da própria esquerda progressista – para o centro do problema: “como vamos salvar nosso planeta?”. Políticas de industrialização massiva, subsídios para grandes latifúndios, redução de impostos para quem degrada a Natureza somente serão impedidos com a participação dos ecossocialistas no debate eleitoral. Sem a participação dos ecossocialistas no debate eleitoral não há a apresentação para toda a sociedade de propostas e planos de governo necessários para impedir a exploração daqueles próximos ao desenvolvimentismo baseados na destruição do sistema socioecológico.

É no terreno eleitoral que tais práticas, advindas da burguesia detentora do capital, se constroem. Devemos estar presentes nesse ambiente para combater o discurso hegemônico advindo das classes dominantes que exploram os recursos naturais. Mas não somente a presença é o bastante. Se torna fundamental difundir alternativas socioecologicas preocupadas com a base oprimida da pirâmide. Fortalecer políticas de ecovilas, uma transição energética popular, medidas de reforma agrária, contando com a participação efetiva da população nessas políticas.

Dessa forma, a participação nas eleições, com candidaturas ecossocialistas fará que, além da própria visibilidade, exista a participação direta na tomada de decisões, significando a ruptura necessária e urgente para um mundo sem a exploração do capital, mais justo, igual, humano e sobretudo defensor de nossa casa, ou seja, nosso planeta.

Sobre subvertacomunica (58 artigos)
Organização Política Ecossocialista que atua para transformar o mundo, acabar com todo tipo de exploração, opressão e destruição do planeta!

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