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Não dá pra errar: o PSOL ocupando o lugar de esquerda radical e democrática no Brasil

Derrotar definitivamente o Bolsonarismo! PSOL na luta popular e democrática para defender os interesses dos povos subalternos em defesa de um programa ecossocialista para o Brasil.

Desde 31 de agosto de 2016, dia do golpe em Dilma Roussef, o Brasil vem amargando uma série de retrocessos: teto de gastos, reforma da previdência, reforma trabalhista, pacote “anti-crime” que alarga o estado penal que persegue, encarcera e mata o povo negro, desmatamento acelerado, avanço da mineração sobre terras indígenas, desmonte das políticas públicas para as mulheres, sufocamento da educação pública, armamento em massa, o retorno da fome e da miséria por todo o território nacional e ainda o horroroso número de quase 700 mil mortes pela COVID no país.

Por isso, a vitória da coalizão democrática em torno de Lula é um abraço de consolo em cada família e em cada comunidade que passou por esse pesadelo. Mas a vitória não está garantida, a força que o bolsonarismo mostrou fechando rodovias por todo o país pedindo golpe militar é a prova. Além desta vitória, há muito no que trabalhar para termos vitórias concretas para o povo com reversão das perversidades cometidas, como o fim do teto de gastos, e avanços reais, como a retomada nos investimentos em saúde, educação, ciência e tecnologia e um novo marco na política ambiental e climática no país.

O resultado eleitoral apertado (50,9% contra 49,1%) mostrou que todo o esforço dessa coalizão democrática foi necessário. PT, PV, PCdoB, PSOL, Rede, PCO, PSB, Solidariedade, Pros, Avante, Agir, PDT, Cidadania, até mesmo a chegada de PCB, PSTU e Unidade Popular no segundo turno, ou mesmo as dissidências em União Brasil, MDB, PSDB, PSD, Podemos, Novo e DC que declararam neutralidade na disputa, mas que tiveram figuras em apoio ao Lula, como Simone Tebet do MDB e João Amoedo do NOVO, além do apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do PSDB, entre outros.

Desse processo enumeramos abaixo alguns elementos fundamentais de balanço e perspectivas para direcionar o debate político do PSOL para se posicionar diante desse processo de transição e construção do novo governo no Brasil:

1- Somos parte do processo que elegeu Lula. Foi um acerto o apoio do PSOL ao Lula desde o 1° turno. A realidade mostrou que a entrada do PSOL na campanha foi decisiva para trazer alguns dos mais engajados e disciplinados setores dos movimentos sociais para a campanha de Lula, fazendo diferença nos momentos mais decisivos da campanha. Além disso, essa tática foi fundamental para garantir o crescimento da bancada do partido em nível federal e estaduais, consolidando o PSOL como um dos principais partidos da esquerda brasileira. Portanto, é necessário dizer – como é parte fundamental do avanço na consciência de um partido socialista o reconhecimento dos seus erros e acertos – que equivocados estavam aqueles que defendiam uma candidatura própria no primeiro turno. Não só teriam desarmado o partido para a grande e fundamental batalha das eleições como teriam ignorado o grande movimento de massas democrático contra o Bolsonarismo desde o primeiro turno, prejudicando ainda o crescimento de nossas bancadas no parlamento.

2- Pois o grande movimento democrático e de massas contra Bolsonaro foi liderado pelo PT não pela legitimidade dos acertos desse partido na política para as classes subalternas no período recente, mas sim porque estava nítido, e foi provado, que só Lula poderia derrotar a máquina estatal usada desavergonhadamente pelo atual presidente e as forças mais reacionárias das classes dominantes brasileiras.

3- Mais que isso, sem essa frente ampla eleitoral construída especialmente no 2° turno, seria impossível derrotar Bolsonaro nas urnas, com suas mentiras e o uso do dinheiro público a seu favor. Trata-se aqui não de reconhecer uma frente ampla como estratégia de poder para o país, mas de compreender que no combate ao fascismo não se poderia economizar na tática. Nesse sentido sim foi necessário uma composição pontual e democrática com setores dissidentes da burguesia ante o projeto autoritário e sob a liderança fascista de Bolsonaro.

4- Diante desse trajeto, defendemos que o PSOL seguirá dedicado para que esse governo se instale, seja devidamente empossado e legitimado, política e institucionalmente. Para que faça cumprir o programa que o levou ao poder e reverta o conjunto de medidas perversas e ultraliberais aplicadas desde o golpe e para que possa fazer as reformas que o Brasil precisa. Especialmente a reforma trabalhista, o teto dos gastos e a flexibilização da legislação ambiental.

5- Somado a isso, qual seja, participar da Frente Ampla que consegue fundar o novo governo de Frente Ampla, ainda que compondo a Equipe de Transição, o PSOL deve manter sua estratégia política anticapitalista e independente, com base no ativismo parlamentar e mobilização das lutas sociais por medidas populares de transição para um Brasil Ecossocialista.

6- Neste sentido, assim como no quadro da disputa nacional o PSOL não liderou a maioria das disputas dessa Frente Ampla para os cargos Executivos, acreditamos que a melhor forma de contribuirmos para o governo Lula é concentrar nossos esforços na Câmara Federal e não participar com cargos no governo. Colocando nossas lideranças como Guilherme Boulos, Talíria Petrone e Sônia Guajajara na linha de frente na luta pelas reformas populares, o que o Brasil precisa, e revogações das medidas anti-povo realizadas.

7- Diante do acosso fascista devemos construir a posição que nos dê as melhores condições para defender o governo, buscando ênfase nas convergências, mas garantir uma autonomia perante a ele. Participar do governo tende a evidenciar as contradições de programa entre o governo de frente ampla e o programa do PSOL. Contrariando interesses de ambos e comprometendo o sentido histórico de cada, diante dos desafios de frear o avanço fascista e construir uma alternativa anticapitalista no Brasil.

8 – É preciso sabedoria para a esquerda brasileira para fazer avançar um projeto popular que ao mesmo tempo esvazie o apoio ao bolsonarismo e mobilize a sociedade para a luta por direitos e participação democrática. Apostar na politização, na educação e na cultura da diversidade do povo brasileiro como formas de solapar as bases do nacionalismo de extrema-direita.

Essa é a linha que entendemos ser a necessária para coesionar o partido em torno de uma posição consequente para a luta popular no próximo período. Para os povos tradicionais de matriz africana uma encruzilhada, mais que um lugar de dúvidas entre vários caminhos, é o lugar sagrado das oportunidades e mudanças, da abertura de caminhos, afirmação de projetos e realização de vitórias. Para o PSOL, essa encruzilhada pode ser decisivamente a afirmação de um projeto de esquerda radical e de massas após anos na defensiva contra o projeto reacionário.

Acreditamos que o caminho da afirmação da independência de classes, da luta popular e democrática, das pautas políticas dos movimentos sociais, sem cair na cooptação nem no sectarismo, irão fortalecer o PSOL como instrumento anticapitalista e ecossocialista para os povos subalternos e em luta no Brasil.

Sobre subvertacomunica (58 artigos)
Organização Política Ecossocialista que atua para transformar o mundo, acabar com todo tipo de exploração, opressão e destruição do planeta!

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