Segundo turno em São Paulo

Foto da cidade de São Paulo de fundo em tons de lilás com o título da postagem em branco.

A tarefa histórica que se coloca neste momento é disputar votos como forma de disputar a sociedade para além do resultado eleitoral.

Guilherme Boulos chegou ao segundo turno com uma margem pequena de diferença para o primeiro colocado, Ricardo Nunes, em uma eleição difícil, marcada por episódios de violência com pouco espaço para o debate político. Um resultado apertado, com uma diferença de 25 mil votos entre Nunes (29,48%) e Boulos (29,07%), e com Marçal em terceiro (28,14%), mas com capacidade de ampliação para alguns setores. A eleição de São Paulo não se descola do cenário nacional que aponta, em análises preliminares, o crescimento dos partidos de direita e extrema-direita nas prefeituras e Câmaras Municipais por todo o país. 

Em São Paulo, o crescimento da candidatura de Pablo Marçal como um fator não esperado aponta também para a organização da extrema-direita mais radicalizada para além do bolsonarismo e da figura de Jair Bolsonaro. As eleições foram muito dominadas por Marçal que, sem tempo de TV, fez em especial os debates eleitorais serem noticiados a partir de sua postura violenta e provocativa. 

Às vésperas do primeiro turno, Marçal divulga um laudo falso, em tese confirmando o uso abusivo de drogas por Guilherme Boulos, uma associação que ele passou a campanha inteira tentando fazer. Prontamente desmentido pela campanha de Boulos, o episódio repercutiu muito negativamente para Marçal, que chegou a ter suas redes sociais suspensas pela justiça.

Neste sentido, é preciso reconhecer a importância histórica de Guilherme Boulos em ter chegado ao segundo turno das eleições municipais. Em um primeiro turno marcado por fake news, ataques pessoais e um clima de confronto permanente nos debates eleitorais, arrancamos um resultado importante e significativo na votação em seis de outubro.

A tarefa histórica que se coloca neste momento é disputar votos como forma de disputar a sociedade para além do resultado eleitoral. Aqui o que entra em jogo é um projeto de país, de disputa ideológica de qual campo político pode sair vitorioso na eleição em São Paulo, a cidade mais populosa e mais rica do Brasil e da América Latina. 

A estratégia do vira voto assume um protagonismo assim como em outros momentos onde a disputa de projetos se acirrou com a capacidade de determinar os rumos do país. São Paulo, sendo a maior cidade da América Latina, convive com problemas que são resultado direto de uma gestão ineficiente nos últimos quatro anos, que viu seus índices da educação básica piorarem, as filas nos hospitais e a falta de medicamentos na rede pública pioraram, a violência contra a mulher cresceu, entre outros muitos indicadores negativos.

Ricardo Nunes foi o vice que ninguém queria em 2020, que se tornou o prefeito que sumiu pelos primeiros dois anos e meio de gestão e apareceu com licitações superfaturadas ou com esquemas de conluio, com contratos emergenciais que não são para emergências, fez uma das piores gestões que mais gastou em asfalto e pouco fez pelos equipamentos na periferia e agora aparece nas eleições com a força da máquina pública e um vice nomeado diretamente por Bolsonaro, o coronel Ricardo Mello de Araújo. 

Com uma Câmara Municipal em que a extrema direita ganhou força e teve seus representantes como os mais votados da cidade, com um cabo eleitoral como o governador Tarcísio e uma aliança com partidos que estão mais à direita que para o centro, uma possível futura gestão Nunes será bolsonarista e representará o aprofundamento da desigualdade social na cidade.

Nesses últimos três dias de campanha a tarefa é mais do que nunca ir para as ruas, conversar com indecisos e combater as fake news que circundam nossa principal figura partidária. A esperança é um sentimento mobilizador e, sem esperança, o nosso projeto político não sobrevive.


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