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Por um feminismo interseccional e classista

Ângela Davis em Cobo Hall, Detroid (1974)

Por um feminismo que ouse ser anticapitalista

Essa contribuição não tem o intuito de servir como disputa teórica, muito pelo contrário, escrevo pelo único motivo possível: a necessidade de abandonarmos as contradições que ainda levamos pela aposta de que o feminismo radical é possível em uma corrente socialista, em especial sobre a temática do transfeminismo. Para isso, exponho aqui os motivos que me fizeram, pessoal e tardiamente, reivindicar o feminismo interseccional como única resposta possível para o anticapitalismo.

A premissa do veto nos espaços auto-organizados

“Transfeminismo é a ideia radical de que mulheres trans são mulheres”

(Tirado do Blogueiras Feministas, por Hailey Kaas)

 

O feminismo, apesar do grande protagonismo nas lutas da esquerda mundialmente e apesar de viver hoje uma de suas grandes ondas, ainda tende a ser tratado como uma questão deslocada e como um grande setor da luta anticapitalista, como o restante daquilo que recai sob o bojo militante do Combate às Opressões. Por isso, é muito comum que não se tire concepções fechadas em espaços amplos sobre o tipo de feminismo que se reivindica.

A cultura política de diversas organizações, com poucos espaços auto-organizados e uma divisão não igualitária das tarefas, empurra muitas vezes essa discussão para “o ambiente feminino”, como se a vertente feminista que determinada organização segue não mudasse em absolutamente nada o restante das suas concepções ideológicas. Esse é um erro que acaba por influir em outros e, em muitos casos, em opressão.

Além disso, a falta de compreensão sobre o objetivo dos espaços auto-organizados contribuem para uma leitura que é uma faca de dois gumes. Se por um lado, os homens só recorrem a discussão feminista quando se sentem vítimas de alguma injustiça que, em muitos casos, é para falar mais sobre eles mesmos do que sobre emancipação da mulher e liberdade. Por outro, não é de hoje que muitas feministas tendem a se setorizar na reivindicação de uma ambiente privado. Se é bem verdade que os homens em muito lavam as mãos para a discussão sobre a exploração de gênero, muitas mulheres também tem reivindicado a auto-organização como um setor cristalizado da luta feminista. Há muitos problemas nisso. Repetidamente não damos conta de socializar as formações teóricas e acabamos restringindo debates de ordem muito maior aos espaços auto-organizados. Aborto, por exemplo, não deveria ser uma pauta tratada apenas nos espaços de mulheres, porque é algo que atravessa desde a organização do trabalho até o direito à vida.

As mulheres foram as primeiras a denunciar o espaço privado como político. Isso modificou muito os movimentos de esquerda e os forçou a compreender a política com uma dimensão muito maior e muito influenciada pela cultura. A reivindicação do espaço auto-organizado, portanto, em nada poderia privar o conhecimento dos debates dos espaços amplos. Ele, pelo contrário, é o lugar onde se potencializa as intervenções de mulheres para levar e agendar discussões no espaço amplo que notoriamente não seriam feitas de forma espontânea sem uma organização coletiva. Sem cumprir esse objetivo, sequer há transformação real.

Muitas vezes, a discussão sobre as vertentes feministas e a naturalidade como a gente trata isso como divergência acaba por resultar em transfobia. Quando mulheres cis, assumindo que não possuem vertente feminista consolidada, escolhem não se organizar com mulheres trans para propiciarem essa discussão isoladamente, elas estão naturalmente reconhecendo que o espaço é mais dela do que de outras mulheres. Pior do que isso, elas estão afirmando que é necessário a aprovação de mulheres cis para que mulheres trans se apropriem do direito de ser mulher dentro de uma organização. O nome disso é transfobia. A mesma preocupação e delicadeza que se tem com a possibilidade de haverem mulheres cis feministas radicais e elas poderem se expressar, não há em não excluir da discussão aquelas que mais tem a dizer sobre transfeminismo.

A equação é fácil. Se há uma reunião de mulheres para se discutir que tipo de feminismo elas reivindicam e isso perpassa discutir o transfeminismo, as mais interessadas nessa discussão são as mulheres trans. Muitas vezes, o argumento é a do desconhecimento do que seria o transfeminismo e isso é reflexo também dos ínfimos espaços da militância organizada em que as mulheres trans conseguem permanecer. A baixa expectativa de vida e a opressão e exclusão recorrente afasta a troca de vivências. Por isso mesmo, a decisão não deveria ser do veto, mas a do acolhimento e entendimento coletivo sobre o que significa hoje ser feminista. A discussão sobre concepções feministas, o desconhecimento sobre o transfeminismo e sua implicações não podem justificar a exclusão e a segregação nos espaços auto organizados. A política do veto como premissa é uma política transfóbica e não pode ser tolerada, porque ela não influi apenas na luta feminista. Não se pode estar numa organização em que exista um setorial LGBT e que o setorial de mulheres não permite a participação de mulheres trans, justamente porque não são setoriais isolados com concepções próprias. Para pensar que tipo de feminismo reivindicamos é preciso pensar o que é ser anticapitalista hoje e o que significa o combate às opressões.

Por um feminismo interseccional e classista

O único possível para o enfrentamento da exploração capitalista

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino”

Simone De Beauvoir, 1980

A exploração de gênero

Diversos setores feministas reivindicam diferentes significados sobre o que significa gênero e como deveria ser o caminho para uma sociedade libertária.

Ainda assim, as divergências de concepções caem em discussões que tendem a se desapegar das condições materiais e reais que condicionam diferentes sujeitos a uma mesma condição de exploração: o gênero.

Quando nos reivindicamos anticapitalistas, pela luta de classes e pelo socialismo, entendemos que é necessário olhar a sociedade dividida em classes sociais e em opressões diversas. Assim, é possível entender como ela funciona e de onde vem as condições de desigualdade que se estabelecem e se perpetuam no mundo.

Do mesmo modo, quando nos reivindicamos feministas é porque descobrimos que no mundo há uma forma de exploração específica, materializada na condição de vida de diferentes mulheres. Essa condição comum que nos une não apaga nossas diferenças de raça, classe social, sexualidade e também de transgeneridade/travestilidade. Essas diferenças não podem ser apagadas, pois elas também determinam o grau de vulnerabilidade que a opressão de gênero irá agir com diferentes mulheres. Logo, para o enfrentamento ao machismo e ao patriarcado é necessário olhar para onde ele é mais cruel e a quem ele atinge mais profundamente.

Portanto, para entendermos a exploração de gênero, longe das divergências teóricas sobre a origem do gênero, é necessário avançar nas discussões sobre as pautas que mais aprofundam a exploração do corpo feminino de forma material e concreta. A única maneira de fazer isso é olhar a vida das mulheres, perceber suas diferenças e suas dores comuns.  

Este, portanto,é o feminismo classista, aquele que compreende que a opressão capitalista incorpora o machismo e o patriarcado para explorar a classe trabalhadora e perpetuar a cultura que submete mulheres à homens e a algumas mulheres mais do que outras.

A diferença crucial para um feminismo classista é justamente compreender que a opressão de gênero é interseccional, ou seja é atravessada pelas diferentes condições de classe, raça, sexualidade e diversidade de gênero, entre outros.

Dito isto, provoco: não há como ser socialista e não reivindicar a interseccionalidade.  Pois isso seria dizer que não há diferenças de exploração entre mulheres pobres e ricas, a base do que reivindicamos como luta de classes.

A luta feminista e a necessidade de se posicionar!

“Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas.”
Audre Lorde

O principal foco de de divergência com o feminismo radical é justamente a noção muito restrita sobre o que é ser mulher. A noção de que mulheres trans seriam privilegiadas por terem sido “socializadas” como homens reduz em muito a vivência do que é ser mulher na sociedade e é muito deslocada da vivência trans. A primeira insinuação disso é a de que homens são socializados apenas por serem homens e que não sofrem nenhum tipo de tratamento diferente entre si, por isso seriam todos iguais. Essa mesma noção é contraditória a própria compreensão de que dentro do feminismo somos mulheres diferentes.

Então, é possível mesmo dizer que um homem negro sofre a mesma socialização que um homem branco? Ou que homens são mesmo tão iguais que é a mesma coisa ser homem gay ou ser homem hétero? Não há nenhuma forma de violência na socialização masculina, apenas privilégios? Isso não pode ser uma verdade. Algumas das consequências desse tipo de posicionamento são os casos em que não se vê o racismo velado nas atitudes de escrachos e exposição de agressores, ou em noções como “todo homem é um estuprador em potencial” como se o falo fosse a motivação natural do estupro e quando não se considera o estupro corretivo a homossexuais, em sua grande maioria durante a infância. Mais adequado seria dizer o que condiz com as estatísticas: “Todo estuprador é um homem em potencial”.

No caso desse mesmo pensamento em relação às mulheres trans é ainda mais profundo as contradições. A primeira é a que separa a vivência trans entre “quando você era homem e foi socializado” e em “quando você é mulher”, o que não faz nenhum sentido já que a transgeneridade não é uma característica de “antes” e “depois”. Assim como uma pessoa não era menos ou mais lésbica, bissexual ou homossexual antes ou depois de “sair do armário”.

A segunda contradição é a que afirma que a socialização é um movimento passivo. Ora, se o problema em relação às mulheres trans seria a tal “socialização masculina”, como poderiam haver feministas em um mundo com “socialização feminina”?

Ainda que a violência seja ensinada e repercutida e o aspecto do machismo seja cultural, é possível dizer que uma mulher trans consegue ser mais “ensinada” a ser “machista e violenta” a ponto disso excluir a violência que ela mesma sofre indo contra essa concepção masculinista? Isso seria dizer que uma mulher trans e um homem cis estão em pé de igualdade sobre a opressão e violência que reproduzem? Por que foram ensinados a serem homens? Certamente não faz sentido.

Afinal, então, o que nos faz sermos mulheres e feministas?

Se a luta feminista nasce na percepção de que determinadas violências acontecem por conta do nosso gênero, o que nos faz estarmos juntas e termos uma luta em comum é justamente onde está a base da exploração dessas violências e como podemos combatê-las. Assim é necessário vislumbrar essa realidade para compreender a necessidade do transfeminiismo. Em quase todas as explorações últimas ao corpo feminino, o perfil das mulheres mais atingidas é semelhante.

  • FEMINICÍDIO

“Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Suas motivações mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, como é o caso brasileiro.”

O Brasil é o 5º país com maior índice de feminicídio no mundo. Em 2013, chegou a ter 13 feminicídios diários no país. Metade dos casos são praticados por familiares e pessoas próximas à vítima, sendo em 33,2% parceiros ou ex parceiros da vítima e em 27,1%, o crime ocorreu dentro de casa. A maior parte dos casos tem como motivação ciúme ou desconfiança amorosa. No último mapa da violência contra a mulher (2015), o feminicídio entre negras havia aumentado 54%, enquanto entre brancas teria diminuído 9,8%. Em relação a população trans, a dificuldade de notificação dos casos de assassinatos é maior ainda quando é necessário classificar o tipo de homicídio. O Brasil é também o país que mais mata travestis e transsexuais do mundo, em sua maioria mulheres – embora o assassinato de homens trans seja muito mais subnotificado também. Dos 143 assassinatos reportados no site da Rede Trans Brasil em 2016, havia apenas 10 eram de homens trans. Em seis anos, de 2008 a 2014 foram mais de 600 assassinatos e, segundo o dossiê de 2016 da Rede Trans Brasil, as características das motivações se assemelham em muito as características do feminicídio. A residência é o segundo local em que mulheres trans são mais assassinadas e, apesar da grande maioria não ter relatado a ligação com o assassino, parceiros e ex parceiros são o segundo maior perfil entre eles, clientes é o primeiro. Isso demonstra o quanto as mulheres trans e as negras são o grupo de maior vulnerabilidade em relação a homicídios motivados por ódio.

  • PROSTITUIÇÃO

Em relação a prostituição, apesar de muitas divergências entre concepções feministas em relação regulamentação ou não do trabalho, as mulheres mais acometidas pela exploração sexual são as mulheres trans. Discutir prostituição sem discutir a transfobia é quase impossível. No Brasil, são 1,4 milhão pessoas trans e 90% delas vivem do mercado do sexo. Não à toa, a maior parte dos assassinatos a transsexuais são cometidos por seus clientes, assim como estupros e violências não letais. A maior parte delas, negras. O risco de uma pessoa travesti, transexual ou transgênero ser assassinada é 14 vezes maior que o de um homem cis gay, e a chance dessa morte ser violenta é 9 vezes maior. A expectativa de vida de uma pessoa transsexual no Brasil é de 35 anos de idade.

  • VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

No Brasil, 5 mulheres são espancadas a cada 2 minutos.  Em 80% dos casos por seus próprios parceiros. 59,4% são negras, as maiores vítimas de violência física e sexual. Duas em cada três pessoas atendidas no SUS em razão de violência doméstica ou sexual são mulheres. As estatísticas de violência contra a mulher, em geral, até hoje, ignoram as mulheres trans, mas assim como no feminicídio, é possível verificar o alto indíce de agressão parental que existe. Até mesmo pela recorrência de saída ou expulsão de casa entre a população trans, bastante superior em relação às mulheres cis. Ainda assim, como muitas das agressões domésticas ocorrem no período de reafirmação da identidade de gênero, muitas sequer são relatadas como violência contra a mulher. Outra população que sofre muito com a violência doméstica são as mulheres lésbicas, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em seu Registro de Violência, contabilizou 176 vítimas de ataques graves, embora não letais. Desse total, 55 foram contra mulheres lésbicas, ou percebidas como tais. No caso desse público em específico, a maior parte dos agressores são por parentes da vítima.

  • PORNOGRAFIA

Outro tema polêmico que divide o movimento feminista é a pornografia. No entanto, apesar do Brasil ser o país que mais assassina pessoas transsexuais e travestis, somos também o país que mais consome pornografia trans no mundo. A contradição que evidencia a violência está ligado diretamente ao mercado da prostituição e suas características, a subserviência e a objetificação sexual do corpo da mulher trans também precisa ser discutida pelo feminismo. É importante lembrar também que o mercado pornográfico é um dos que mais comete lesbofobia e racismo, engendrados em diversos estereótipos e performances sexuais, além de violência física e verbal.

  • ABORTO

Umas das lutas mais encampadas pelo feminismo e um dos maiores tabus para as brasileiras. No Brasil, o aborto está entre as quatro principais causas de morte materna, e são realizados aproximadamente 1 milhão de abortos por ano. Ainda assim, a estatística é mais um agravo da desigualdade entre nós, uma mulher negra tem até 4 vezes mais chances de morrer por aborto clandestino do que uma branca. Apesar de ser um dos poucos temas em que não são inseridas as mulheres trans, o aborto e a maternidade e as violências que também circulam nessa temática é um ponto que afeta homens trans e mulheres lésbicas também, embora em menor grau.

  • DIVISÃO DO TRABALHO

Mesmo parecendo papo de vovozinha, até hoje mulheres em mesmo cargos e qualificação ganham em média 20% a menos do que os homens no Brasil. Além disso, tem mais dificuldades de serem empregadas, principalmente se passa ou já passou por alguma gestação. Ainda assim, a pirâmide econômica no Brasil leva em conta muito mais a racialização da luta de classes, no país onde é quase impossível separar a condição social da questão racial. Mulheres e homens brancos ganham melhor do que homens e mulheres negras. Mulheres negras, na base da pirâmide, ganham em média 40% do salário de um homem branco.Nos serviços gerais de terceirização, considerados uma das formas de trabalho mais precarizadas hoje, o empregado ganha em média 30% a menos do que um trabalhador formal. A terceirização já é considerada, pela instabilidade, trabalho análogo à escravidão. É justamente nesse setor que 92% são mulheres, dessas 62% são negras.

A cada 10 mulheres hoje no Brasil, 4 estão fora do mercado de trabalho. São 26,7 milhões de mulheres inativas e apenas 9,1 milhões de homens. Além disso, a tripla jornada de trabalho é uma dura realidade. Segundo o IPEA, as mulheres dedicam até 25,9 horas semanais com trabalhos domésticos não remunerados, enquanto homens gastam apenas 15,5. Mas não são todos, a mesma pesquisa revela que apenas 46% dos homens brasileiros se dedicam a tarefas domésticas, entre mulheres o número sobe para 88%.  Para as mulheres trans, os dados sobre condições de trabalho são ainda mais assustadores. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), 90% das travestis e transexuais optam pela prostituição para se sustentar e a expectativa de vida dessa população é de apenas 35 anos, menos da metade da média nacional, de 76 anos. Segundo a RedeTransBrasil, o preconceito e a discriminação são um dos maiores fatores de invisibilidade dessas mulheres no mercado, mas não é só ele. Com instabilidade familiar e muita violência no processo de transição, 82% dessas mulheres não chegam a concluir o Ensino Médio.

  • CULTURA DO ESTUPRO

O estupro é uma das práticas punitivas às mulheres mais conhecidas e uma das violências onde a característica de gênero é mais gritante. Principalmente na identificação do agressor que passa de 90% como homens. A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, ainda que cerca de 35% dos casos não sejam notificados. 70% das vítimas são crianças e adolescentes e a mesma porcentagem é de agressores próximos e parentes da vítima.

De acordo com a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), no País estima-se que cerca de 6% das vítimas de estupro que procuraram o Disque 100 do governo federal, durante o ano de 2012, eram mulheres lésbicas. E, dentro desta estatística, havia um percentual considerável de denúncias de estupro corretivo. Entre 2012 e 2014, as mulheres lésbicas responderam por 9% de toda a procura pelo serviço. A prática do estupro a mulheres lésbicas, chamamos de estupro corretivo, em que a motivação é de usar o falo como correção de sua orientação sexual.

Ainda na questão do estupro, muitas pessoas desconhecem os estupros que mulheres trans e travestis sofrem desde a infância até a vida adulta, sendo um crime comum às zonas de prostituição onde elas estão e também sendo um problema grave frente as travestis e transsexuais presas em presídios masculinos, onde são constantemente estupradas. Os dados a estupros na infância aos meninos (já que na maior parte dos casos, a criança trans ainda é designada pelo sexo biológico) já chegaram, em 2012, a ser de 5 estupros a cada 2 dias, sendo 55% deles negros.

Tempos de enegrecer e transfeminizar!

A revolução será transfeminista, anti-racista, LGBT e anticapitalista.
Ou não seremos!

 

Não é possível construir a luta feminista deixando de fora de seu protagonismo, aquelas que mais sofrem com as exploração de gênero. É possível elencar muitas outras pautas em que o capital nos explora e mata à serviço do machismo, em todas elas é preciso olhar com cuidado e empatia quem está na ponta da cadeia alimentar capitalista. Nesse sentido, não é possível ser feminista e socialista no mundo sem acolher, reivindicar e lutar lado a lado das transsexuais e travestis, sem reivindicar o combate ao racismo em todos os lugares e sem dar visibilidade necessária a lesbofobia, a bifobia e a homofobia. Parafraseando Chimamanda, é preciso encorajar TODAS as mulheres a se atreverem a mudar o mundo! Avante!

Samantha Su é estudante de jornalismo da Universidade Federal Fluminense


Referências:

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