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Unidade de esquerda com Molon para barrar o bolsonarismo

Contribuição do Subverta sobre as eleições para o Senado no Rio de Janeiro

Foto colorida com várias pessoas sem máscara sorrindo e fazendo o L com os dedos. Ao centro está o deputado federal Alessandro Molon, homem, pele clara, com cabelo grisalho e liso, meia idade. Ao seu lado direito está a deputada federal Talíria Petrone, mulher, cabelo cacheado escuro, pele marrom clara. Reprodução Rede Social

Atualmente, lidera as pesquisas de intenção de voto Romário (PL), que se reivindica o candidato de Bolsonaro no Rio de Janeiro, seguido por Marcelo Crivella (Republicanos), também da base de sustentação do governo federal. Isso em um estado cujos outros dois senadores que seguirão com mandato são Carlos Portinho e Flávio Bolsonaro, ambos do PL. Havendo ainda o fantasma de Daniel Silveira rondando o pleito, que mesmo tendo se tornado inelegível por decisão do STF, efeito que não é revogado pelo indulto concedido, poderá influenciar os rumos da eleição com seu apoio.

A disputa eleitoral para o Senado tem sido hegemonizada pelo campo bolsonarista, com Romário em primeiro lugar, por combinar votos da base bolsonarista e de sua grande expressão pública como jogador de futebol. Seu movimento tem sido afastar desconfianças do eleitor da extrema-direita, que não o identifica automaticamente como seu representante ideológico. Uma jogada que está sendo treinada é ter na primeira suplência nada menos que Rogéria Nantes – ou Rogéria Bolsonaro, ex-esposa do presidente, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro. A indicação à suplência foi proposta por Flávio Bolsonaro como condição para que receba o apoio do pai.

Nesse cenário, a principal tarefa que se coloca para o PSOL é construir uma candidatura de unidade de esquerda que seja inequivocamente de oposição a Castro e Bolsonaro. A pré-candidatura da professora e advogada Luciana Boiteux, reconhecida militante feminista e dos direitos humanos, foi lançada pelo campo PSOL de Todas as Lutas, para cumprir um papel de construção programática e localização partidária no debate para a eleição do Senado, porém é a pré-candidatura de Alessandro Molon (PSB) aquela com condições políticas e viabilidade eleitoral para disputar com Romário e outros nomes da base de Bolsonaro.

Molon é presidente do PSB/RJ e deputado federal. Foi líder da oposição na Câmara Federal. Em sua trajetória, exerceu mandatos parlamentares identificados com a luta pelos direitos humanos, meio ambiente, cultura e democratização da justiça. Foi contrário às reformas da previdência, trabalhista e teve papel destacado no processo de cassação de Eduardo Cunha. Tem se dedicado na luta contra a privatização da Eletrobras e apresentou na legislatura em curso projeto de lei sobre Emergência Climática. Portanto, guardamos sem dúvida afinidades programáticas com Molon, o que não significa que inexistam diferenças. Em seu percurso do PT, passando pela Rede, até o PSB, e nas suas duas candidaturas à prefeitura do Rio, nota-se uma inflexão à centro-esquerda.

A construção de unidade em torno de Molon para o Senado não é uma política distinta do apoio do PSOL à Lula (PT) ao governo federal e de Freixo (PSB) ao governo do Rio de Janeiro. Também temos com essas candidaturas diferenças importantes, como nossa discordância com a estratégia de frentes amplas. Contudo, devemos procurar apoiar, em uma quadra histórica de ascenso de um projeto político de índole neofascista no país e no Rio de Janeiro, as candidaturas de esquerda a cargos majoritários em condições de vencer as eleições, quando não conseguimos apresentá-las, desde que atingidos acordos programáticos e políticos.

Seria equivocado hierarquizar nossa tática eleitoral para a eleição do Senado como compensação a uma acertada decisão partidária de não termos candidaturas próprias aos governos estadual e federal, garantindo assim pelo menos um nome majoritário para apresentar de conjunto nosso programa.  É certo que a ausência de uma candidatura própria majoritária implica em alguma dificuldade na exposição do PSOL e suas posições, porém nossa principal tarefa nas eleições de 2022 é derrotar Bolsonaro e seus representantes. O que se coloca de imediato como um prejuízo, a não apresentação de candidaturas próprias majoritárias, será entendido como um grande compromisso do PSOL com o que é mais importante nesse momento, que é a defesa das liberdades democráticas, dos direitos sociais, do meio ambiente, contra o racismo, a misoginia, a LGBTfobia e o capacitismo de um governo genocida, replicado pelo Rio de Janeiro no governo Cláudio Castro e por uma bancada de três senadores. 

Ademais, a eleição para o Senado é muito significativa, mas está longe de ter a mesma audiência e possibilidade de debater todas as questões políticas que uma candidatura a governo do estado.  Na proporção do vulto que uma candidatura ganhe é até factível que cumpra uma parcela dessa tarefa. No entanto, o mais correto é trabalhar para que o eleitorado progressista se defina pela opção de esquerda com mais chances de êxito eleitoral frente ao bolsonarismo. Em uma eleição em turno único como a do Senado, o voto útil terá premência. O mais provável é que serão nossas candidaturas proporcionais as que terão mais atenção e condições de apresentar o conjunto dos posicionamentos do partido.

A outra pré-candidatura ao Senado que se propõe para a coligação de Freixo é a do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa André Ceciliano (PT), porém seu perfil não é de oposição a Cláudio Castro. Embora possamos detectar que tenha feito contenções a proposições legislativas de caráter reacionários que emergiriam das bancadas bolsonaristas e dos governos Witzel e Castro na Alerj, também se verificam cada vez mais mediações e colaborações, especialmente na agenda econômica, como foi o caso da aprovação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que impôs medidas como limitação a concurso público, reforma previdenciária e teto de gastos estaduais. Além disso, nítida é a interseção das bases de Ceciliano e Castro nos municípios, na ocupação do vácuo deixado com o declínio do MDB. Nesse sentido, sua candidatura não tem identidade com nosso projeto e estratégia política.

Tendo sido alcançados os acordos políticos e programáticos, a decisão do Diretório e da Executiva do PSOL RJ de apoiar Molon para o Senado é muito correta. Molon tem chances de vencer as eleições. Nossa principal tarefa nessas eleições e na luta política social é diminuir todo o espaço possível ocupado pela extrema-direita, que nos ameaça com um arsenal de retrocessos civilizatórios e para a classe trabalhadora. Não à toa mais uma chacina, agora na Vila Cruzeiro. Não por acaso foi profanado por policiais, sob argumento administrativo e de apologia ao crime organizado, um memorial às vítimas da maior chacina da história do RJ, a do Jacarezinho, sob aplausos de Castro e do bolsonarismo. Mais uma placa abjetamente quebrada pelo neofascismo, mais uma chacina, que se junta a políticas antipopulares como a privatização da Cedae.

Não é uma decisão fácil deixar de lançar candidatas e candidatos aos cargos majoritários, mas hoje é o necessário para vencer Bolsonaro e o bolsonarismo em seu berço. O PSOL dá provas de seu compromisso com a unidade para derrotar extrema-direita. Seremos o polo de esquerda dessa frente eleitoral. Vamos virar o jogo no RJ! Depois das eleições, seguiremos nas ruas e não dentro dos governos, com apoio de nossas combativas bancadas parlamentares, que queremos fortalecidas, na luta contra o bolsonarismo que seguirá existindo, mesmo ao derrotarmos Bolsonaro e Castro, e do neoliberalismo que terá ainda influência nas políticas públicas.

Rio de Janeiro, 27 de maio de 2022.

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